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sexta-feira, 1 de junho de 2018

O corvo

Edgar Allan Poe
Tradução de Machado de Assis

Em certo dia, à hora, à hora
Ilustração de Édouard Manet (FONTE)

Da meia-noite que apavora,
Eu, caindo de sono e exausto de fadiga,
Ao pé de muita lauda antiga,
De uma velha doutrina, agora morta,
Ia pensando, quando ouvi à porta
Do meu quarto um soar devagarinho,
E disse estas palavras tais:
"É alguém que me bate à porta de mansinho;
Há de ser isso e nada mais."

Ah! bem me lembro! bem me lembro!
Era no glacial dezembro;
Cada brasa do lar sobre o chão refletia
A sua última agonia.
Eu, ansioso pelo sol, buscava
Sacar daqueles livros que estudava
Repouso (em vão!) à dor esmagadora
Ilustração de Gustave Doré (FONTE)

Destas saudades imortais
Pela que ora nos céus anjos chamam Lenora.
E que ninguém chamará mais.

E o rumor triste, vago, brando
Das cortinas ia acordando
Dentro em meu coração um rumor não sabido,
Nunca por ele padecido.
Enfim, por aplacá-lo aqui no peito,
Levantei-me de pronto, e: "Com efeito,
(Disse) é visita amiga e retardada
Que bate a estas horas tais.
É visita que pede à minha porta entrada:
Há de ser isso e nada mais."

Minh'alma então sentiu-se forte;
Não mais vacilo e desta sorte
Falo: "Imploro de vós, — ou senhor ou senhora,
Me desculpeis tanta demora.
Mas como eu, precisando de descanso,
Já cochilava, e tão de manso e manso
Batestes, não fui logo, prestemente,
Certificar-me que aí estais."
Disse; a porta escancaro, acho a noite somente,
Somente a noite, e nada mais.

Com longo olhar escruto a sombra,
Que me amedronta, que me assombra,
E sonho o que nenhum mortal há já sonhado,
Mas o silêncio amplo e calado,
Calado fica; a quietação quieta;
Só tu, palavra única e dileta,
Lenora, tu, como um suspiro escasso,

Da minha triste boca sais;
E o eco, que te ouviu, murmurou-te no espaço;
Foi isso apenas, nada mais.

Entro coa alma incendiada.
Logo depois outra pancada
Soa um pouco mais forte; eu, voltando-me a ela:
"Seguramente, há na janela
Alguma cousa que sussurra. Abramos,
Ilustração de James Willian Carlling (FONTE)
Eia, fora o temor, eia, vejamos
A explicação do caso misterioso
Dessas duas pancadas tais.
Devolvamos a paz ao coração medroso,
Obra do vento e nada mais."

Abro a janela, e de repente,
Vejo tumultuosamente
Um nobre corvo entrar, digno de antigos dias.
Não despendeu em cortesias
Um minuto, um instante. Tinha o aspecto
De um lord ou de uma lady. E pronto e reto,
Movendo no ar as suas negras alas,
Acima voa dos portais,
Trepa, no alto da porta, em um busto de Palas;
Trepado fica, e nada mais.

Diante da ave feia e escura,
Naquela rígida postura,
Com o gesto severo, — o triste pensamento
Sorriu-me ali por um momento,
E eu disse: "O tu que das noturnas plagas
Vens, embora a cabeça nua tragas,
Sem topete, não és ave medrosa,
Dize os teus nomes senhoriais;
Como te chamas tu na grande noite umbrosa?"
E o corvo disse: "Nunca mais".

Vendo que o pássaro entendia
A pergunta que lhe eu fazia,
Fico atônito, embora a resposta que dera
Dificilmente lha entendera.
Na verdade, jamais homem há visto
Cousa na terra semelhante a isto:
Uma ave negra, friamente posta
Num busto, acima dos portais,
Ouvir uma pergunta e dizer em resposta
Que este é seu nome: "Nunca mais".

No entanto, o corvo solitário
Não teve outro vocabulário,
Como se essa palavra escassa que ali disse
Toda a sua alma resumisse.
Nenhuma outra proferiu, nenhuma,
Não chegou a mexer uma só pluma,
Até que eu murmurei: "Perdi outrora
Tantos amigos tão leais!
Perderei também este em regressando a aurora."
E o corvo disse: "Nunca mais!"

Estremeço. A resposta ouvida
É tão exata! é tão cabida!
"Certamente, digo eu, essa é toda a ciência
Que ele trouxe da convivência
De algum mestre infeliz e acabrunhado
Que o implacável destino há castigado
Tão tenaz, tão sem pausa, nem fadiga,
Que dos seus cantos usuais
Só lhe ficou, na amarga e última cantiga,
Esse estribilho: "Nunca mais".

Segunda vez, nesse momento,
Sorriu-me o triste pensamento;
Vou sentar-me defronte ao corvo magro e rudo;
E mergulhando no veludo
Da poltrona que eu mesmo ali trouxera
Achar procuro a lúgubre quimera,
A alma, o sentido, o pávido segredo
Daquelas sílabas fatais,
Entender o que quis dizer a ave do medo
Grasnando a frase: "Nunca mais".

Assim posto, devaneando,
Meditando, conjeturando,
Não lhe falava mais; mas, se lhe não falava,
Sentia o olhar que me abrasava.
Conjeturando fui, tranquilo a gosto,
Com a cabeça no macio encosto
Onde os raios da lâmpada caíam,
Onde as tranças angelicais
De outra cabeça outrora ali se desparziam,
E agora não se esparzem mais.

Supus então que o ar, mais denso,
Todo se enchia de um incenso,
Obra de serafins que, pelo chão roçando
Do quarto, estavam meneando
Um ligeiro turíbulo invisível;
E eu exclamei então: "Um Deus sensível
Manda repouso à dor que te devora
Destas saudades imortais.
Eia, esquece, eia, olvida essa extinta Lenora."
E o corvo disse: "Nunca mais".

“Profeta, ou o que quer que sejas!
Ave ou demônio que negrejas!
Profeta sempre, escuta: Ou venhas tu do inferno
Onde reside o mal eterno,
Ou simplesmente náufrago escapado
Venhas do temporal que te há lançado
Nesta casa onde o Horror, o Horror profundo
Tem os seus lares triunfais,
Dize-me: existe acaso um bálsamo no mundo?"
E o corvo disse: "Nunca mais".

“Profeta, ou o que quer que sejas!
Ave ou demônio que negrejas!
Profeta sempre, escuta, atende, escuta, atende!
Por esse céu que além se estende,
Pelo Deus que ambos adoramos, fala,
Dize a esta alma se é dado inda escutá-la
No éden celeste a virgem que ela chora
Nestes retiros sepulcrais,
Essa que ora nos céus anjos chamam Lenora!”
E o corvo disse: "Nunca mais."

“Ave ou demônio que negrejas!
Profeta, ou o que quer que sejas!
Cessa, ai, cessa! clamei, levantando-me, cessa!
Regressa ao temporal, regressa
À tua noite, deixa-me comigo.
Vai-te, não fique no meu casto abrigo
Pluma que lembre essa mentira tua.
Tira-me ao peito essas fatais
Garras que abrindo vão a minha dor já crua."
E o corvo disse: "Nunca mais".

E o corvo aí fica; ei-lo trepado
No branco mármore lavrado
Da antiga Palas; ei-lo imutável, ferrenho.
Parece, ao ver-lhe o duro cenho,
Um demônio sonhando. A luz caída
Do lampião sobre a ave aborrecida
No chão espraia a triste sombra; e, fora
Daquelas linhas funerais
Que flutuam no chão, a minha alma que chora
Não sai mais, nunca, nunca mais!

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Aneurisma

4/8/2016                                                        

   Acordar cedo deixava Claudia chateada, mas normalmente seus pais faziam o trabalho duro de levantá-la. Naquele dia acordou como se tivesse sido deixada. Acordou bem-disposta e o sol iluminando de forma estranha aquela manhã. Poderia dizer aos pais que acordou sozinha e deixá-los felizes, mas... o sol não aparecia naquela época do ano quando tinha que acordar para ir à escola.
   Claudia sentia uma dor de cabeça, era algo sutil, como uma lembrança. Dirigiu-se ao quarto dos pais e viu que já era dez horas da manhã. Não era fim de semana, ela tinha certeza, porém, conferiu o calendário que havia na cozinha. Estava certa, era uma quarta-feira, dia comum. Seus pais não sairiam para trabalhar e a deixariam sozinha. Ela então tentou ligar para o celular da mãe pelo telefone fixo, mas ele não tinha linha, e seu celular tinha desaparecido.
   A menina se sentiu estranha, a dor de cabeça... tomou um dipirona para ver se melhorava, poderia ser fome, então preparou seu café da manhã. Fez tudo o que sua mãe prepararia, pois imagina se ela volta e percebe que ela comeu algo que não deveria. “O café da manhã é sagrado”, dizia a mãe, “a refeição que sustenta o nosso corpo o dia todo”.
   Onde será que haviam se metido os seus pais? Claudia pensava e sabia que se encrencaria com a falta na escola, mas eles não poderiam lhe falar nada, afinal, a deixaram sozinha. Achava que...



    🎼🎼🎼  Ouça ao conto neste link  🎻🎻🎻


   Enquanto pensava à mesa, comendo com calma, o seu copo levitou rapidamente da mesa e foi parar na pia, despejado. Ela ficou paralisada. Ela ficou perplexa. Ela se borrou de medo. Quando percebeu que estava paralisada ela se esforçou e saiu correndo para seu quarto, se enfiou sob as cobertas e ficou escutando. Não era possível, não era mesmo! Era coisa da sua cabeça, claro... a cabeça que doía.
   Claudia ficou na sua cama por um bom tempo, e como havia se concentrado ouviu vozes, vozes da vovó, do papai e a mamãe chorando... será que ela estava dormindo e era um sonho? Ela levantou e foi correndo para a sala, mas não havia ninguém. Ela saiu da casa, olhou pelo portão e estava tudo vazio. TUDO VAZIO. Nem mesmo os cachorros do vizinho no portão. Claudia saiu e andou pela rua, não poderia ser mesmo a realidade. Ela estava tendo um pesadelo horrível, era isso, era só isso.
   Assim, Claudia começou a achar divertido e tentou flutuar, voar, saltar alto, até que quando ela menos esperava estava voando. Era muito legal. Ela voou por cima das casas e voltou para a casa dela, estava mais feliz em saber que era tudo um sonho, ela voltou a cozinha e então começou a pegar os doces que ficavam bem no alto do armário, quando ela colocou o pote na mesa, cheio de paçocas, e retirou uma para saborear ouviu vários gritos, de umas quatro pessoas, e percebeu que havia muitas xícaras na mesa, e o pote de paçocas foi projetado ao chão, ela pode vislumbrar os rostos dos avos e pais, mas foi só.
   A mãe chegou a desmaiar, estava realmente muito abalada com a morte da única filha, o marido saiu pela porta da frente, pois para ele aquilo tudo era estranho e irracional, ele nunca acreditaria naquela coisa que viu, ele se ajoelhou no quintal e começou a chorar. Claudia estava novamente sozinha e sentia que havia muita coisa errada, mas de fato não entendia como em seu sonho a cabeça poderia estar doendo e ela não conseguir fazer a dor parar.


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Sinopse do livro Obra perturbadora

“Sempre do ponto de vista de crianças, suas protagonistas, os contos da Obra Perturbadora pretendem mexer com seu leitor, trazendo experiências de leitura com finais abertos e incongruências propositais, que podem até parecer em primeiro momento uma falha da autora, porém, o resultado no leitor é, em geral, atingido e previsto durante a produção deles.
Prepare-se para sentir estranheza, insegurança, suspense, violência, e principalmente a expectativa que traz a melhor sensação do suspense. A autora busca em alguns contos contextualizar o seu leitor para depois apresentar um desfecho incongruente ou violento, ou de uma forma muito distinta não contextualiza o leitor e dá toda a situação ocorrida e o que se espera é que a experiência do leitor trabalhe com as questões que surgem, de forma a trazer a tona a própria personalidade do leitor, seja instigando-o a buscar respostas que não terá, a se revoltar com a falta de informação desejada ou a lidar com o prazer da sensação atingida na leitura. Que tipo de leitor é você? Um detetive, que quanto mais instigado mais busca saber? Um frustrado que para a leitura por não aceitar o jogo da autora? Um imaginativo que complementa as histórias com as possibilidades e se delicia seja com o contexto que lhe é cobrado ou com o desfecho que é incongruente?
Descubra-se lendo a Obra Perturbadora, contos curtos e rápido de terror e suspense que trazem desde os mais clássicos terrores psicológicos até os mais modernos, influenciados pelo Edgar Alan Poe, Stephen King, Lovercraft, entre outro e o cinema do século XX e XXI.”


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De outra forma temos a impressssão sob demanda feita pela Agbook, pelo link.

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Patê de tofu com alga nori

Sabor                 ★★★★★
Textura              ★★★★★  (cremosa ou "ricota")
Aparência         ★★★★★




Ingredientes

1 Tofu duro grande
1 Limão (para um tofu grande)
Azeite
Alho
Cebola
Sal
Alga Nori temperada (aperitivo) 

A quantidade de cada ingrediente é a gosto, visto que depende de quanto você deseje de cada um, e pode variar também de temperos, eu prefiro a pasta mais lisa e cremosa, e por isso não deixo a cebola picada grosseiramente.

Preparo:

Para ficar bem cremoso bata no liquidificador tudo menos a alga e o limão. Depois de batido para ficar como uma maionese coloque o limão, e depois que encorpar coloque a alga.
Para ficar como "ricota" bata tudo, menos a alga no processador, depois de misturado coloque a alga e bata até misturar e picar bem a alga.




Paisagem com doodle #1

Artista Naely

Paisagem com lápis de cor #3

Artista José André

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Árvore da vida #4





Naely


Campanha "O guia do mochileiro das galáxias"

   Durante o primeiro semestre de 2018 a sala de leitura desenvolveu uma campanha com  O guia do mochileiro das galáxias, que teve como objetivo fazer com que os alunos buscassem uma leitura diferente daqueles que eles estavam acostumados a ler fora da sala, visto que costumam buscar livros mais comerciais como O diário de um banana e Maze runner, por exemplo.
    Com a aproximação do dia da toalha surgiu a ideia de comemorar a semana da toalha com a exibição do filme, para que todos os alunos pudessem conhecer, mesmo os que não lessem a trilogia de cinco.
   Para possibilitar o projeto começamos com a doação de 8 livros pela professora Laura (eu mesma) do livro 1, sendo que dois deles junto a coleção completa da trilogia de cinco. Todos os livros foram tombados na estante 42 e ficaram dispostos para empréstimo.
    Passamos a fazer provocações com cartazes colados nas salas do Fundamental II e na sala de leitura, como segue, e os livros saíram rapidamente. Logo começamos a indicar a possibilidade do pdf e do audiolivro, fáceis de serem encontrados pela internet.
 







   Durante a semana do dia 25 de maio nós comemoramos o dia da toalha assistindo ao filme e discutindo sobre a comédia, ficção científica e Douglas Adams.
   Foi muito gratificante e teremos mais campanhas na escola para que os alunos possam desfrutar de outras leituras além das que eles estão acostumados na rotina particular deles e das rotinas pedagógicas.
   Vejam algumas fotos nossas!














Foto da coleção da querida amiga Gisele Formaggio, que é mingo dupal!

Foto da coleção da querida amiga Gisele Formaggio, que é mingo dupal!