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domingo, 24 de fevereiro de 2019

Ciclo Noventa


Quando nasci, um anjo torto
desses que tem gênero
disse: vai, Laura, ser mulher na vida.

As casas espiam os homens
que fazem propostas às moças sozinhas
que saem para trabalhar... não fosse o ECA...
não fosse minha mãe e minha madrinha
a minha menarca seria dantes analfabeta.

O bonde, o busão o Pq Dom Pedro II
 cheio de pernas, braços, pên... eus.
Lembro que no prato só havia carne
7x1, sem Alemanha, maquininhas de remarque,
presidente bonito, disputa para pegar feijão
de prateleira antes da quarta etiqueta do dia
Não quero carne hoje,
Consciêncoa 10x0, graças ao ECA.

A mulher atrás do silêncio fez até a 4ª série,
a detrás da tesoura teve 3 filhos,
eu e eles fizemos faculdade,
elas não silenciaram, não deveríamos também.

Meu Deus, porque me abandonaste?
Que seja, saibas que posso ser fraca,
mas não estou só, se eu posso
pensar que Deus sou eu.

Mundo mundo vasto mundo
se eu me casasse com Raimundo
seria uma rima, e não uma solução,
Mundo mundo vastoi mundo
Marina, Solange, Maria, Laura: caneta na mão.

Eu não devia te dizer
Mas é, sim, a escolha fou pela lua
e o brinde venha pela cerveja,
Pois podem tentar nos silenciar,
mas de Freire a Beauvoir
não se nasce, tonar-se-á.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Pó de estrela

Laura Lucy Dias
10/2/2019

Eu tento ser um lugar seguro
E garantir amenidade e conforto 
Para quem vem de encontro ao meu lume no escuro,
Mesmo que eu esteja distante do conceito do porto.

Portanto, o muro, quando se estabelece incongruente
Na pista s[olida, macia e bem construída da expectativa
Dos meus projetos pessoais, sobrepõe o contingente
Que há de mim para o além da tentativa

Às vezes eu não posso
Às vezes eu não poço
E o lume vem de lá

Às vezes eu posso
Às vezes eu poço
E o balde é dela


sexta-feira, 7 de dezembro de 2018